As pessoas, em geral, tem a tendência de desqualificar o que não conhecem. Basta esse desconhecido se enquadrar em alguns aspectos pré-concebidos, idéias subjetivas adquiridas com base na própria educação e experiências trocadas com o ambiente e já estamos julgando, rotulando, definindo e muitas vezes passando adiante essa concepção. A que ponto chegamos, que desprezamos as pessoas. Sendo que nem sabemos ao certo (e na maioria das vezes não sabemos absolutamente nada) quanto a todo um mundo que há por trás, as experiências da cada um, suas feridas, suas provações, suas lutas por sobrevivência, suas felicidades, seus clichês.
Não existe atitude mais grosseira, desrespeitosa e infantil do que rotular pessoas, atitudes, profissões. Desqualificar, generalizar, dizer ser abstrato o que pode ser, sim, muito denso e interessante.
Vamos ter cautela ao abrir a boca.
Deixo um texto do Marcelo Pires (baita publicitário gaúcho), pra vocês lerem:
Vai saber se o careca que dirige o carro
que acabei de deixar passar à minha frente
não é ex-torturador do exército brasileiro.
Se o mendigo que na esquina finjo ignorar
não é o maior poeta da lingua portuguesa.
Se o adolescente fedorento e barulhento
que me impacienta na videolocadora
não será o médico que, nesta mesma fila,
vá salvar minha vida daqui a alguns anos.
Se a menina que grita e chora na pracinha
vá se tornar o amor da vida do meu filho.
Se a autora de um livro que folhei por acaso
não venha a ser mãe desse filho, e meu amor.
Se o homem que todo dia não me cumprimenta
e eu não cumprimento no lento elevador
venha a ser, finalmente, o presidente íntegro
da quente república em que sobrevivemos.
Se a pessoa que liga e diz "desculpe, engano"
seja apenas uma pessoa que ligou,
desculpe, por engano. (Mas, a esta hora? Estranho).
Vá saber conviver com mil e tantas gentes
tanto passado, tanto futuro, presentes.
Beijos meus.
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