09 maio, 2010

À melhor de todas.



Mãe:

Eu sou o "se essa rua, se essa rua, fosse minha..." que cantastes pra mim quando bebê.
Sou a mamadeira até grandinha (ops).
Sou a cara deslavada com o pé no boeiro.
Sou a mão que literalmente "agarraste" pra atravessar a rua.
Sou os piquiniques no zoológico e no jardim de casa.
Sou os dias antecipando a páscoa já recebendo amostras de chocolates espalhadas pela casa.
Sou também a decepção de saber que não és perfeita, que mentes, e que coelhos de páscoa não existem (essa cena entrou pra história, lembra).
Obrigada pela mentirinha.
Sou a tua procura doida por farmácia em plena madrugada, quando das minhas crises de asma.
Sou os jogos de carta na praia.
Sou os dias com nega-maluca pro café da tarde. E o pão feito em casa.
Eu sou os anos de patinação sempre acompanhados de muita tensão. E de reviravoltas estomacais (outra cena que entrou pra história).
Sou os esportes todos em que nos metíamos, eu e os meus irmãos (e aqui falo por eles), e dos quais sempre fostes a melhor torcida.
E às vezes tantas que íamos pra coordenação e tu nos nos defendia ou nos xingava, com discernimento.
Sou a conversa franca que nos ofereceste desde os primeiros sinais de adolescência.
Somos as conversas deliciosas após retornar de festas.
Sou o respeito de saber que mereço alguma coisa quando realmente faço por tal.
Sou a minha liberdade comprada com dedicação.
Sou o desejo por livros. O encanto por cinema. A vontade de ir além.
Sou o orgulho que me ensinaste a ter. O saber que mereço o melhor pra mim.
Sou a irritação quando mexem no meu cabelo. A intimidade contida.
Sou o colo que me dás até hoje.
Sou as imagens de gente em outros países passando fome que nos mostraste, aquela vez que jogamos (escondido) comida fora. Mas se não fosse por isso, talvez não déssemos valor ao que temos.
Mãe, tu és a conversa com as plantas. O cuidado com os animais. O respeito pelos outros.
És a ingenuidade e a franqueza lado a lado.
És a garota da cidade 1981.
És a mãe 1985, 1986 e 1988.
Somos reflexos teus, eu e os guris.
Sou muito de ti, mas menos do que eu gostaria.

Tu és única. E a melhor de todas.

Te amo, um beijo da filha.

Um comentário:

Dê Longhi disse...

Déia, lindo o que escreveu para a tua mãe... faltou dizer só "sou a tua cara" ou "sou os teus olhos" ... vocês são lindas igual!