15 abril, 2009

Ãpideite

Desculpem o baixo astral ontem. Sigamos o baile. Estou especialmente feliz pois a Aghata está voltando para casa amanhã. E minhas férias estão cada vez mais perto. Ando com uma saudade gigante do meu irmão. E sonhando com a Toscana. (e pra dar um tempero, trailer de under a tuscan sun, que já citei no blog e que eu curto pra caramba http://www.youtube.com/watch?v=vdJGMZDY0-8).

*

E falando em algo que eu já citei por aqui: Fabricio Capinejar Nunca abandonaremos o sexo rural. Não vou confessar que morro de tesão pelo corpo cansado de minha mulher, com a fragrância exasperada de um dia inteiro, quando o perfume importado já evaporou e resta a franqueza da carne sobre a carne. Avisarei que a desejo de banho tomado. Se me perguntar, digo isso, o certo. Mas faço o errado com volúpia. Amo o dorso feminino suado, muito suado, não há sabonete e xampu que me devolva a mesma gula. Posso lamber as axilas, as curvas, lamber todo o seu trabalho de 8 horas sem intervalo. E repetir. O discurso é pelo luxo e conforto: cama redonda, espelho no teto, banco estofado para o encaixe, algemas abençoadas, banheira de hidromassagem. Só que a imaginação ainda está no celeiro, com pilha de feno, o bafo da neblina e a pressa da ardência. A imaginação procura pelo chão, pelo incômodo, pelos pregos enferrujados do entardecer. Os animais não foram domesticados no instinto. Nem devem. Após as juras, quando surge o primeiro desaforo amoroso, o primeiro insulto, adeus boas maneiras. Não adianta controlar a fantasia. Vegetarianos se convertem em carnívoros, homens caprichosos e refinados se transformam em gigolôs, dondocas comportadas e puras se enxergam como putas. Regressamos às fazendas da República Velha, ao mato remoto, às plantações do inconsciente. O prazer não assina contrato, nem se interessa em ler e escrever. O que vem à tona é a pulsão, o revezamento de domínio e submissão. É melancólico um amor que não esfolou os joelhos. Durante a transa, o que menos pretendo é ser homem, essa alma tão volúvel e pouco decidida.
*
E me vou, quero começar a ler o livro 'Leite Derramado', do Chico Buarque. Tenho a impressão de que será tão bom quanto 'Budapeste'. Faz uns aninhos já que li, mas adorei! Esse cara escreve muito. Fazia tempo que não lançava um livro.
Um Beijo

Nenhum comentário: